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quarta-feira, 22 de julho de 2015

O que sabemos sobre Plutão


Após a passagem da sonda News Horizons por Plutão na semana passada, um grande conjunto de informações estão sendo recebidas e analisadas com muito entusiasmo por cientistas de todo o planeta.

Imagens de profundos penhascos, como essa ao lado, camadas de gelo, e possíveis moléculas orgânicas também fazem parte desse hostil ambiente.

Divulgo nessa publicação o que foi descoberto até agora nessa missão e o que se espera com os dados que ainda iremos receber nos próximos anos.

2015 foi o ano de Plutão - é o que a NASA afirma. Em vários momentos ao longo desse ano, novas informações obtidas pela sonda New Horizons foram repassadas ao público pelo controle da missão no Centro de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins. A foto ao lado registra a apresentação dos dados referente à lua Nix, no último dia 15.

Organizo abaixo o que foi descoberto até agora, após a passagem bem sucedida da sonda New Horizons por Plutão:


1) A Descoberta
Falei muito sobre Plutão, mas pouco sobre sua história. Esse é um tema interessante relacionado a essa conquista.... Sua descoberta não ocorreu de uma observação direta, como a dos demais planetas, mas de uma suposição: em 1905 o astrônomo  Percyval Lowell sugeriu que deveria haver um objeto além da órbita de Netuno e Urano, responsável por causar um pequeno "tremor" já conhecido na órbita desses dois gigantes .Ao lado, um recorte de jornal da época com o cientista e sua teoria. Lowell previu a localização desse objeto para 1915, mas faleceu antes de conseguir realmente observa-lo.

Naquela época, o objeto não tinha um nome, e imaginava-se que era bem maior que a Terra, como os demais planetas conhecidos daquela região. 

Foi somente em 1930 que o astrônomo Clyde Tombaugh (na foto ao lado), numa feliz coincidência do destino, conseguiu identificar o objeto pela primeira vez ao olhar para o céu do observatório Lowell (sim, o que havia previsto). Falecido em 1997, suas cinzas foram colocadas na sonda News Horizons em 2006, e acompanharam a viagem até esse pequenino mundo distante.

O mais interessante sobre sua descoberta foi seu batizado: o nome Plutão remete ao deus romano do submundo, foi dado não por astrônomos, mas por Venetia Burney, uma inglesa de Oxford que na época tinha apenas 11 anos! Através de seu avô, ela enviou para o observatório Lowell essa sugestão de nome para o novo astro descoberto. O nome também homenageia Percival Lowell, cujas iniciais estão presentes nas duas primeiras letras do nome do planeta.

 
2) Nono planeta ou planeta anão?
Essa controvérsia ainda não é um consenso entre os cientistas: Plutão é um planeta, como os outro 8, ou é um astro diferente? Ele é um excluído planetário?

Devido a sua grande distância da Terra, informações desse planeta são muito difíceis de serem obtidas. Nem as sondas Voyagers que passaram por aquela região nos anos 1980 conseguiram sequer um "oi" de longe desse objeto, que mexe muito com a imaginação de vários cientistas e curiosos.

Em 2006 a União Astronômica Internacional (IAU) convocou um encontro mundial para discutir sobre a condição de Plutão diante de novos dados e fatos coletados até o momento. Sabia-se que Plutão era um astro diferente dos outros, por não ser o objeto predominante em sua órbita - sua maior lua, Caronte, está muito próxima e é quase de seu tamanho, fazendo-os orbitarem ao redor de um ponto comum, e não "um ao redor do outro" (desconsiderando que na verdade movem-se apenas ao redor do Sol...).

Em termos técnicos, Plutão não possui a condição de predominância orbital, obtida quando um astro possui massa superior a dos demais objetos encontrados em sua órbita, capaz de "limpar sua trajetória", a fim de torna-lo "o maior objeto" em sua rota.

Por isso a IAU reclassificou o planeta como objeto pequeno do sistema solar, mas o nome "planeta anão" ficou mais conhecido. Nessa categoria encontram-se vários outros objetos, todos localizados após a órbita de Netuno, sendo os mais famosos os ex-asteroides Céres e Éris (atuais objetos pequenos do sistema solar ou planetas anões).
  
Divulgo abaixo documentário da Nasa sobre esses objetos (talvez para assistir depois...)




Apesar dessa classificação, o chefe da missão News Horizons, Alan Stern (na foto ao lado) informou a Nasa que continuará a tratar Plutão como planeta ao longo de toda a missão.

 


3) Características Orbitais
O movimento de Plutão é bem diferente dos demais... O plano de sua órbita é a mais inclinada de todos os objetos que conhecemos, e cruza a órbita de Netuno - portanto, há momentos que Plutão posiciona-se entre Urano e Netuno!




Desde 1989 Plutão encontra-se nessa região, sendo assim o 8o planeta do sistema solar, se ainda fosse considerado um... A imagem ao lado ilustra esse fato. O momento foi o ideal para o envio da sonda News Horizons, pois até 2019 estará nessa região, o que torna propício seu estudo pela ligeira proximidade de nós. 

Ainda sim, ele está muito longe - cerca de 49 vezes mais longe do Sol do que a Terra. E, além disso, sua órbita é muito eliptica, parecida realmente com um "ovo" e não um círculo, como geralmente representa-se as órbitas dos planetas.


Ainda sobre sua órbita, seu eixo de rotação é "quase deitado" assim como Neturno. A imagem ao lado ilustra sua rotação, e o plano de órbita de suas luas, representado no desenho pela maior delas, Caronte.


4) Luas
Oficialmente Plutão possui 5 luas, sendo Caronte a maior delas, com dimensões muito próximas ao próprio planeta. As demais são Nix, Hydra, Kerberos e Styx.

A ilustração ao lado é uma composição baseada em fotos da New Horizons. Ela mostra o sistema de Plutão. A órbitas de suas luas são quase circulares ao redor do planeta, e, exceto por Caronte, as demais luas são muito menores que a nossa: Nix e Hidra tem em torno de 80 km, com período orbital de 25 e 40 dias respectivamente, enquanto Kerberos e Styx possuem de 10 a 30 km, com período orbital variando entre 22 e 38 dias respectivamente.

A próxima imagem revela a onde a sonda New Horizons passou em comparação com o planeta e suas luas: foi uma passagem precisa e bem de perto para um objeto arremessado de tão longe a tanto tempo!

A animação abaixo mostra a passagem da sonda por essa região:





5) Características físicas





6) Mais Divulgações
Deixo registro outro momento de grande divulgação de dados: abaixo, vídeo oficial da NASA com os dados da missão obtidos ate 14 de abril deste ano:




Como falei no inicio dessa publicação, para a NASA, não é apenas julho o momento de Plutão, mas sim, 2015. No inicio do ano divulgaram o documentário New Horizons e os limites do sistema solar, sobre as expectativas dessa missão. Segue abaixo:





Fontes:

Um comentário:

  1. Olá professor ! sou o Fernando do 5 b , então se Caronte é quase da mesma massa que Plutão , portanto os dois entram em órbita um do outro,certo!!??

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